International Workshop “Virtual historic cities: reinventing urban research”

Workshop organizado no âmbito do projecto Cidade e Espectáculo: uma visão da Lisboa pré-terramoto (City and Spectacle: a vision of pre-earthquake Lisbon), uma recriação virtual, a partir da plataforma de mundos virtuais Second Life®, da memória da Lisboa destruída pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755.

Projecto pioneiro em Portugal, resulta de uma colaboração entre o Centro de História de Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora (CHAIA), a empresa Beta Technologies e o King’s Visualisation Lab (KVL), King’s College London.

A recriação virtual de cidades históricas é uma área emergente da pesquisa histórica, permitindo uma abordagem inovadora ao estudo e representação do Património Cultural. Presentemente, os mundos virtuais substituem os instrumentos clássicos de modelação em 3D, ao possibilitarem aos utilizadores interagir num espaço comum e de fácil construção. Estas características fomentam a coordenação entre investigadores na confirmação das hipóteses históricas e, consequentemente, a actualização dinâmica do objecto de estudo. A aplicação da linguagem virtual à pesquisa histórica traduz-se, assim, num modelo de laboratório que potencia e alarga o contexto tradicional da segunda. Em concreto, esta nova abordagem possibilita testar, numa representação tridimensional interactiva, um longo percurso de investigação em história da cidade e disponibiliza, a um público simultaneamente especializado e alargado, uma experiência imersiva numa realidade urbana desaparecida.

O workshop conta com a participação de Bernard Frischer, Director do Virtual World Heritage Laboratory, University of Virginia e coordenador científico do projecto pioneiro Rome Reborn, uma recriação virtual da Roma Clássica; Richard Beacham, Director do King’s Visualisation Lab, King’s College London, organismo vocacionado para a aplicação da linguagem virtual à pesquisa histórica; Drew Baker, investigador e um dos fundadores desta estrutura; Ana Cristina Leite, Directora do Museu da Cidade; António Filipe Pimentel, Director do Museu Nacional de Arte Antiga; Alexandra Gago da Câmara, investigadora do CHAIA; Carlos Tavares Ribeiro, Conselho Científico da empresa VERSUS –  interacção em 3D na Web; Cristina Gouveia, representante da empresa YDreams – especialistas em tecnologias de interacção; Helena Murteira, investigadora do CHAIA; José Sarmento de Matos, Olisipógrafo e coordenador científico dos Itinerários Culturais da Associação de Turismo de Lisboa; Luís Sequeira, representante da empresa Beta Technologies – Architects of the Virtual World; Paulo Rodrigues, investigador do CHAIA e Vítor Cóias, Director do GECoRPA – Grémio das empresas de conservação e restauro do património arquitectónico.

Para mais informações, por favor contactar Paulo Rodrigues através do e-mail [email protected].

 

Continuar a ler

City and Spectacle: A Vision of Pre-Earthquake Lisbon (Actualização para VMSS 2009)

Para esta fase seguinte do projecto, a reconstrução virtual do lado nascente do Terreiro do Paço antes da sua destruição pelo terramoto de 1755 foi actualizada a partir de nova investigação que corrigiu os esboços anteriores.

As fachadas da Ópera do Tejo foram refeitas, assim como os Jardins do Paço. A Torre de Relógio de Canevari foi modelada de forma mais precisa. Graças a uma planta razoavelmente detalhada da Igreja da Patriarcal, toda a envolvente foi refeita do zero, com as fachadas ocidentais inspiradas por uma gravura existente que mostra um dos edifícios que se manteve. A planta também mostra uma localização muito mais precisa da Rua da Capela na década antes do terramoto, o que implicou uma alteração de fundo do modelo existente da rua.

Tendo a Linden Lab desenvolvido um motor de renderização mais avançado para a aplicação de visualização do Second Life, as novas imagens, assim como o vídeo abaixo, já mostram as sombras a serem projectadas. A tecnologia que serve de base ao projecto foi actualizada para a versão 0.6.6 do OpenSimulator.

Desenvolvido para o CHAIA (University of Évora) por Beta Technologies,  o projecto foi apresentado no 15th International Conference on Virtual Systems and Multimedia (VSMM 2009), em Viena de Áustria, de 9 a 12 de Setembro de 2009.

Vídeo

Pátio das Arcas – Cidade e arte performativa. Espaços e lugares para o teatro na Lisboa barroca.

Apresentado no Congresso Internacional
 LA CULTURA DEL BARROCO ESPANOL E IBEROAMERICANO Y SU CONTEXTO EUROPEO, Instituto de Estudios Ibéricos e Iberoamericanos de la Universidad de Varsóvia, Warsaw, Poland, September 2009, por Maria Alexandra Trindade Gago da Câmara (Universidade Aberta/CHAIA – Universidade de Évora).

Cidade, Quotidiano e Espectáculo. Lugares de representação teatral na Lisboa dos Séculos XVII e XVIII | City, Daily Life and Spectacle. Theatre performance sites in 17th and 18th century Lisbon

(text in Portuguese only)

PROPÓSITOS

Quando pretendemos estudar a abordar a prática da História do Teatro em Portugal, sabemos que poucos séculos existiram como os séculos XVII e XVIII onde proliferaram tantos elementos documentais relativos ao espectáculo e simultaneamente tão eloquentes quanto à noção globalizante de festa que o espectáculo barroco assumiu um pouco por toda a Europa e, naturalmente também em Portugal.

O propósito deste texto centra-se deste modo, numa abordagem cronológica sobre o estudo do lugar teatral,  procurando recensear a tipologia dos diferentes espaços de representação públicos em Lisboa, enquanto corte, pois se à  Arquitectura compete a organização do espaço como realidade objectiva ao serviço de determinada função, e sempre como criação histórica, estudar a dramaturgia de uma época implica estudar a forma ou formas que o espaço teatral apresentou.

Encontramo-nos assim na confluência de diferentes áreas de trabalho: o enquadramento da história urbana (a cidade), a arquitectura teatral ou seja, o edifício protagonista de determinada paisagem urbana e, por fim a história do espectáculo, lugar onde se desenrola a acção dramática, englobando uma arquitectura de palco, e todo o sentido de leitura do espaço cénico-teatral.

Procurámos circunscrever-nos às principais características dos teatros de raiz profana durante este período e, não tanto integrá-los e estudá-los enquanto espaços-recepcção dos hábitos culturais que propuseram,  ou seja, a  questão dos destinatários e receptores dos espectáculos – referimo-nos particularmente ao público –  assunto que certamente nos levaria  noutro sentido. Foi igualmente nossa opção não referir neste contexto os teatros régios.

O processo de reconstrução e “reabilitação” dos diferentes espaços de representação teatral em Lisboa ao longo dos séculos XVII e XVIII  transporta-nos de  imediato à percepção da sua inexistência física assim como da escassez de fontes para o estudo referente à  iconografia teatral deste período, estando deste modo, a pisar territórios de obras desaparecidas e, assim a  trabalhar apenas com fragmentos para tentar recuperar  um todo, não descurando evidentemente  do privilégio de algumas fontes escritas e documentais que é preciso forçosamente cruzar.

Nesta sucinta abordagem cronológica sobre os espaços cénicos e os lugares de representação na Lisboa Barroca, procurámos privilegiar vários momentos, numa leitura cujo sentido foi propositadamente decrescente:

– Primeiramente, a referência à vivência do espaço e do lugar teatral e à sua contextualização na cidade – a  malha urbanística da Lisboa Barroca, que tem obviamente uma importância crucial na escolha da implantação e fixação destes lugares de representação.

– Segundo, o destaque para importância dos espaços que antecederam as estruturas de pedra fixas, individualizando os célebres Pateos de Comédias4 como variantes para-arquitectónicas.

– A construção do efémero Teatro Real da Ópera do Tejo ligado ao despontar da chegada da ópera, onde de forma muito sucinta procurámos trazer novos elementos para a reconstituição da memória deste espaço. E, por ultimo,  contextualizando a teatralidade do Barroco uma brevíssima análise do discurso cénico.

 

Lugares de Representação Teatral