Sobre o projecto

Cidade e Espectáculo: uma visão da Lisboa pré-terramoto

1. Conceito

Este projecto visa recriar virtualmente, a partir da tecnologia de mundos virtuais Second Life®, a memória da Lisboa destruída pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, dando corpo a um modelo de laboratório de investigação em história da cidade.

2. Parceiros

Desenvolvido no Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora desde 2008, o projecto conta ainda com as parcerias da empresa Beta Technologies e do King’s Visualization LabKing’s College London.

3. Contexto Histórico

Nas vésperas da catástrofe, Lisboa era uma das cidades mais populosas da Europa, importante porto marítimo, entreposto do comércio internacional e centro político de um império que se estendia da Índia ao Brasil. A partir do século XVI, a capital portuguesa tornara-se uma cidade cosmopolita, com um quadro demográfico e social bastante diversificado.

Retratada por alguns viajantes estrangeiros como um misto de extrema miséria, devoção religiosa e desmedida opulência, a velha Lisboa tornou-se uma cidade mítica para os Europeus de Setecentos e para os Portugueses até hoje. A sua destruição foi primeira página dos jornais europeus da época durante largos meses e inspirou vários textos de carácter diverso, nomeadamente Candide ou l’Optimisme de Voltaire (1759), tendo tido um impacto significativo no pensamento Europeu Setecentista.

Após o terramoto, o futuro Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I, construiu uma cidade de traçado regular e quarteirões uniformes, com a intervenção fundamental dos engenheiros militares portugueses. A antiga cidade, com o seu particular carácter morfológico e social, desapareceu.

4. Metodologia e Potencialidades

A partir de um levantamento e selecção exaustivos de fontes escritas e iconográficas existentes nos acervos nacionais, está a ser construída uma proposta de reconstituição da área sobre a qual incidiu o plano de reconstrução de Lisboa. Abrange o desenho urbano, o tecido arquitectónico do conjunto desaparecido e os interiores de alguns edifícios de referência, tais como o Paço da Ribeira, a Patriarcal, a Ópera do Tejo, o Convento de Corpus Christi e o Hospital de Todos-os-Santos. Incluirá ainda componentes áudio e de animação, com a introdução de sons do ambiente citadino Setecentista e a reconstituição de espectáculos de ópera, touradas, procissões e outros eventos de destaque. Todos estes elementos serão complementados por caixas de texto de contextualização histórica.

Pretende-se assim recriar a Lisboa da primeira metade do séc. XVIII nas suas dimensões urbanística, social e cultural, recorrendo-se à tecnologia de mundos virtuais.

A tecnologia Second Life® e a sua versão open source OpenSimulator (OpenSim) permitem a interacção dos investigadores e utilizadores num espaço imersivo comum de fácil construção, em tempo real. Não existe separação entre o processo de modelação e a sua visualização. Estas características favorecem a dimensão laboratorial do projecto, possibilitando a verificação das hipóteses históricas e a permanente actualização do modelo. Potenciam ainda as vertentes didáctica e lúdica, ao permitirem a um vasto público, simultaneamente especializado e alargado, a imersão numa realidade urbana desaparecida, num contexto de interacção social com os outros utilizadores.

Este projecto constitui-se assim como um laboratório de aplicação da linguagem virtual à pesquisa histórica, permitindo potenciar e alargar o contexto tradicional da segunda. Em concreto possibilita testar, numa representação tridimensional interactiva e imersiva, um longo percurso de investigação em história da cidade.

Será ainda um instrumento que permitirá fomentar, a nível nacional e internacional, o debate científico e a partilha de fontes documentais sobre a cidade de Lisboa e a História Urbana.

Na fase actual, foram recriados os exteriores do Paço da Ribeira, Rua da Capela, Torre do Relógio, Praça da Patriarcal, Real Ópera do Tejo e Pátio das Arcas.

5. Equipa

A equipa reúne investigadores na área da História da Arte, com especializações em história da cidade, do urbanismo, da arquitectura e da paisagem; especialistas na criação de realidades virtuais e especialistas na aplicação dos recursos da informática à investigação e divulgação da História.

Alexandra Gago da Câmara – Historiadora de Arte (Universidade Aberta/CHAIA – Universidade de Évora)

Ana Amaro – Designer (Universidade de Aveiro)

António Filipe Pimentel – Historiador de Arte (Director do Museu Nacional de Arte Antiga/Instituto de História de Arte – Universidade de Coimbra)

Aurora Carapinha –  Arquitecta Paisagista (CHAIA – Universidade de Évora)

Drew Etienne Baker – King’s Visualisation Lab/King’s College London

Helena Murteira – Historiadora de Arte (Fundação Calouste Gulbenkian/CHAIA – Universidade de Évora)

Joaquim Ramos de Carvalho – Historiador (Universidade de Coimbra)

Luís Miguel Richheimer Marta de Sequeira – Engenheiro Informático (Beta Technologies)

Pedro Miguel Gomes Januário – Arquitecto (Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa)

Miguel Soromenho – Historiador de Arte (IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico)

Paulo Simões Rodrigues – Historiador de Arte (CHAIA – Universidade de Évora)

Rita Manteigas – Historiadora de Arte (Museu de Tavira)

Silvana Moreira – estudante de Arquitectura (Beta Technologies)