Archive for Maio, 2009

O terramoto e a génese da consciência de património em Portugal | The earthquake and the origins of the heritage conscience in Portugal


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The Lisbon earthquake of 1755: the catastrophe and its European repercussions


Published in “The Economia Global e Gestão (Global Economics and Management Review), Lisboa, vol. 10 (2004), p. 79-99.

This paper is based on a section of the author’s PhD thesis: A Place for Lisbon in Eighteenth Century Europe: Lisbon, London and Edinburgh a town-planning comparative study (PhD in Architecture, Faculty of Social Sciences, The University of Edinburgh, 2004).

Helena Murteira

In November 2005, Lisbon will recall a momentous event in its history: two hundred and fifty years before, a powerful earthquake (estimated magnitude of 9 using the Mercali scale) ruined most of its city centre, killed a significant number of its inhabitants and curtailed its wealth and its historical legacy. The scale of the seismic shocks and the damage it caused in the capital city were cause of bewilderment and astonishment not only in Portugal but also everywhere in Europe. Newspapers rapidly developed throughout the seventeenth and eighteenth centuries benefiting from an increasing number of readers interested in what was happening all over Europe as well as in other regions of the recently “discovered” world (which had gradually been incorporated in the “known world” by the imperial expansion of the European nations). Apart from being a source of wide-ranging information at a time when the means were scarce and the demand was rising, the most renowned newspapers were used to swiftly and thoroughly assist the cultural and scientific European elite and, more specifically, to keep the European commercial and financial network up to date. The Lisbon earthquake made the European newspapers’ headlines for several months not only due to its dramatic consequences but also because of its commercial and political implications.

Let us examine the catastrophe and its repercussions on European society at the time in greater detail.
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Cidade, Quotidiano e Espectáculo. Lugares de representação teatral na Lisboa dos Séculos XVII e XVIII | City, Daily Life and Spectacle. Theatre performance sites in 17th and 18th century Lisbon


(text in Portuguese only)

PROPÓSITOS

Quando pretendemos estudar a abordar a prática da História do Teatro em Portugal, sabemos que poucos séculos existiram como os séculos XVII e XVIII onde proliferaram tantos elementos documentais relativos ao espectáculo e simultaneamente tão eloquentes quanto à noção globalizante de festa que o espectáculo barroco assumiu um pouco por toda a Europa e, naturalmente também em Portugal.

O propósito deste texto centra-se deste modo, numa abordagem cronológica sobre o estudo do lugar teatral,  procurando recensear a tipologia dos diferentes espaços de representação públicos em Lisboa, enquanto corte, pois se à  Arquitectura compete a organização do espaço como realidade objectiva ao serviço de determinada função, e sempre como criação histórica, estudar a dramaturgia de uma época implica estudar a forma ou formas que o espaço teatral apresentou.

Encontramo-nos assim na confluência de diferentes áreas de trabalho: o enquadramento da história urbana (a cidade), a arquitectura teatral ou seja, o edifício protagonista de determinada paisagem urbana e, por fim a história do espectáculo, lugar onde se desenrola a acção dramática, englobando uma arquitectura de palco, e todo o sentido de leitura do espaço cénico-teatral.

Procurámos circunscrever-nos às principais características dos teatros de raiz profana durante este período e, não tanto integrá-los e estudá-los enquanto espaços-recepcção dos hábitos culturais que propuseram,  ou seja, a  questão dos destinatários e receptores dos espectáculos – referimo-nos particularmente ao público -  assunto que certamente nos levaria  noutro sentido. Foi igualmente nossa opção não referir neste contexto os teatros régios.

O processo de reconstrução e “reabilitação” dos diferentes espaços de representação teatral em Lisboa ao longo dos séculos XVII e XVIII  transporta-nos de  imediato à percepção da sua inexistência física assim como da escassez de fontes para o estudo referente à  iconografia teatral deste período, estando deste modo, a pisar territórios de obras desaparecidas e, assim a  trabalhar apenas com fragmentos para tentar recuperar  um todo, não descurando evidentemente  do privilégio de algumas fontes escritas e documentais que é preciso forçosamente cruzar.

Nesta sucinta abordagem cronológica sobre os espaços cénicos e os lugares de representação na Lisboa Barroca, procurámos privilegiar vários momentos, numa leitura cujo sentido foi propositadamente decrescente:

- Primeiramente, a referência à vivência do espaço e do lugar teatral e à sua contextualização na cidade – a  malha urbanística da Lisboa Barroca, que tem obviamente uma importância crucial na escolha da implantação e fixação destes lugares de representação.

- Segundo, o destaque para importância dos espaços que antecederam as estruturas de pedra fixas, individualizando os célebres Pateos de Comédias4 como variantes para-arquitectónicas.

- A construção do efémero Teatro Real da Ópera do Tejo ligado ao despontar da chegada da ópera, onde de forma muito sucinta procurámos trazer novos elementos para a reconstituição da memória deste espaço. E, por ultimo,  contextualizando a teatralidade do Barroco uma brevíssima análise do discurso cénico.

Lugares de Representação Teatral